Estamos vivendo mais uma revolução
por Wellington Zucco Weber*
A Inteligência Artificial chegou, sem pedir licença, no mundo audiovisual. E vamos ser sinceros: assusta, sim. De repente, ela está escrevendo roteiros, editando vídeos, criando efeitos visuais, dublando vozes em vários idiomas e até gerando imagens realistas com apenas alguns comandos. É impossível não sentir um baque. Mas também é impossível ignorar o que está acontecendo.
E a verdade é: a IA não veio para substituir, ela veio para transformar. Para acelerar processos, eliminar tarefas repetitivas e abrir espaço para aquilo que realmente importa: a criatividade, o olhar sensível, a emoção.
Mas é preciso entender uma coisa: quem não acompanhar essa evolução, quem não se abrir pra estudar, testar, explorar essas ferramentas, vai, sim, ficar pra trás.
A história já mostrou isso. Quantas empresas menores sumiram ao longo das últimas transformações tecnológicas porque resistiram à mudança? Foi assim na transição do analógico para o digital, do VHS para o streaming, do helicóptero para o drone. Cada avanço parecia “ameaçador” no começo, mas quem entendeu a oportunidade, cresceu. Quem não, desapareceu.
A IA é só mais uma dessas viradas de chave.
Hoje, ela já está nos bastidores do nosso setor, otimizando roteiros, auxiliando na montagem de cenas, localizando conteúdos para o mundo inteiro, gerando trilhas, imagens e vozes. Ela faz o técnico e faz rápido. Mas ela ainda não entende de sutileza. Não sente a pausa dramática, não percebe quando uma trilha arrepia. E é aí que a gente entra.
Porque criar histórias continua sendo um ato profundamente humano. Ainda somos nós que sentimos, interpretamos e conectamos. A IA pode sugerir, mas quem escolhe é o criador. Pode cortar, mas quem sente o ritmo da narrativa é o editor.
O segredo agora é clareza e adaptação. Não se trata de escolher entre usar ou não usar IA. A escolha real é entre evoluir com ela ou ficar obsoleto.
Quem entender isso vai encontrar um novo mundo de possibilidades. Mais agilidade, mais liberdade criativa, mais alcance. Ferramentas que antes pareciam inatingíveis hoje cabem no bolso e no tempo de qualquer criador. O acesso está aí. O conhecimento também. O que falta, às vezes, é disposição para encarar o novo.
E olha, não é sobre perder a essência, é sobre ganhar potência. O futuro do audiovisual é híbrido: humano e tecnológico, criativo e automatizado, emocional e inteligente. Um novo tipo de produção, mais ágil, mais acessível e, quando bem usada, até mais autêntica.
Por isso, aqui vai o recado em alto e bom som: a IA não é sua inimiga. Ela é a ferramenta que pode te levar mais longe ou te deixar para trás, se você fingir que ela não existe.
Estamos vivendo mais uma revolução. E, como em toda boa história, vai sobreviver quem souber se reinventar.
No nosso set, a IA pode até operar no fundo. Mas quem grita “ação”, quem dirige, sente e dá o corte final… ainda somos nós.
*Wellington Zucco Weber é empresário, formado em Administração, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios. Já foi 2º Secretário na CINEMASC (Associação Catarinense de Cinema) biênio 2009/2011. Diretor Cinematográfico com DRT 0010878/SC. CEO da Studio 20 Films (empresa com mais de 20 anos de atuação no mercado). É Diretor de Operações na ADVB/SC.