”Temos que melhorar muito para competir”

''Temos que melhorar muito para competir''

Presidente eleito da ADVB/SC afirma que Estado tem grandes vantagens, mas precisa se vender melhor

Com uma bem-sucedida carreira de executivo, Octavio René Lebarbenchon Neto acaba de assumir a presidência da Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil (ADVB/SC). Nesta entrevista concedida com exclusividade ao Imagem da Ilha, ele fala dos planos à frente da entidade e também no mercado de negócios catarinense.

Graduado em Administração de Empresas, é pós-graduado em Administração Bancária e tem mestrado em Administração Pública pelo Instituto Nacional de Administración Pública, de Madri (Inap), na Espanha, e é doutorando em Administração.

Membro do Conselho da Júnior Achievement SC, é ainda professor titular da Udesc/Esag e presidente do Conselho de Administração da ADM – Advanced Design in Management S.A. Ex-diretor Comercial e de Marketing da Unimed e ex-secretário de Administração do Estado de Santa Catarina, atualmente é superintendente comercial do Grupo Almeida Júnior, de shopping centers.

Imagem da Ilha – O senhor passou por uma mudança significativa há três meses, saindo de uma empresa que trabalhava no segmento de serviços para uma de varejo. E agora assume a presidência da ADVB/SC, que é um novo desafio. Como você está se sentindo no meio desse ciclone?

Octavio René Lebarbenchon Neto – Na verdade, isso já era planejado. No caso da ADVB, há mais de um ano, quando veio a proposta para que eu pudesse ser um dos nomes a assumir a entidade. Analisei muito e conversando com amigos e com o próprio presidente Juarez Beltrão, chegamos ao consenso de que era preciso ter um nome que reunisse várias outras forças políticas e econômicas da cidade. Muita gente disse ‘saisse da Unimed e virasse presidente?´ Isso não aconteceu de uma hora para outra, houve planejamento. E a minha saída da Unimed também estava planejada para ocorrer mais ao final do ano e foi antecipada em função de mudanças na companhia. E eu achei interessante, então, sair. Fizemos um acordo positivo para ambas as partes. Minha intenção era ficar uns 60 dias atuando como consultor, mas recebi quatro propostas muito boas e quando veio essa do varejo eu aceitei – eu já tive confeitaria, então tenho experiência na área e sempre gostei, porque o princípio de tudo é a negociação e o atendimento. E um grande executivo tem de estar preparado para os grandes desafios do mercado, independente da companhia. No meu caso, o negócio é locar lojas em shoppings. Agora, temos cinco shoppings no Estado, somos líderes de mercado, com mais de 56% de share e, com o lançamento do Shopping Criciúma, nós vamos a 60%. É um projeto ousado, tem vários outros negócios vindo junto. Estou muito feliz, é um ambiente muito bacana, com muita pressão de resultados – quem trabalha na área comercial sabe que o que vale é negócio. Busquei no novo desafio sair um pouco do marketing – eu comecei no marketing, depois fui para a área comercial.

Você falou uma coisa que eu não sabia, da confeitaria. Fale um pouco da sua vida regressa.

Vou dividir em dois polos. Eu trabalhei 16 anos na área financeira – no Banco Real e na Caixa Econômica. Antes da Caixa Econômica atuei no ramo imobiliário, também sempre mantive uma empresa de consultoria nas áreas de varejo e serviço. Nesse intervalo abri minha confeitaria, a Torten House, que era na Travessa Harmonia, negócio com o meu pai, que durou três anos, foi um sucesso, muito bacana. Mas eu tive de retomar as atividades no banco e foi impossível conciliar, porque a atividade era fora de Florianópolis – em Brasília e em São Paulo. Acabei tendo uma função pública, como secretário de Administração no governo de Esperidião Amin, depois fui assessor de projetos especiais na gestão da Angela Amin na Prefeitura. Depois disso passei em um processo seletivo para ser executivo da Unimed e lá fiquei quase dez anos. Após, queria me dedicar mais a consultoria, porque já tenho experiência e idade para tal, mas fui convidado para esse novo desafio, estou apaixonado por ele, é uma coisa diferente, mas o objetivo é o mesmo, eu tenho que vender. Eu gosto de vender, de negociar, estou no meu mundo.

Uma das principais metas da nova gestão da ADVB é atrair investimentos nacionais e estrangeiros para Santa Catarina. Uma diretoria está sendo criada especialmente para isso. Como ela funcionará? Além de incentivos fiscais, o que o Estado tem a oferecer de melhor para estes possíveis investidores?

Com o Estado, temos vários projetos junto à Seitec. Um deles é o Top Turismo, prêmio criado por decreto governamental do Luiz Henrique da Silveira, realizado em Penha, no Beto Carrero. É uma parceria oficial com o governo, que estamos incrementando. Já realizamos há três anos e vamos fazer novamente em 2014. Essa diretoria de negócios já está funcionando na avenida Rebouças, em São Paulo, e o diretor é o Gualtiero Schlichting. O objetivo é mostrar Santa Catarina para o mercado brasileiro através de São Paulo, que é a capital econômica do país. Vamos realizar o primeiro evento possivelmente no final de abril, começo de maio, quando apresentaremos Santa Catarina para grandes investidores, bancos, fundos internacionais e nacionais. O Brasil se apresenta de um jeito e queremos apresentar Santa Catarina focado no mundo do marketing: temos de mostrar que temos empresas que vendem e vendem muito bem, mostrar porque é bom para que bancos virem para cá – porque vão realizar bons negócios. Santa Catarina é um estado que é diferente de todos – não tem uma grande metrópole e, sim, cidades líderes regionais – e temos de destacar esse modelo, que quem vem de fora não percebe, que nosso estado tem ‘braços’ para todos os lados. Isso faz Santa Catarina um Estado com um equilíbrio econômico fantástico, com um PIB que está se aproximando muito aos do Paraná e Rio Grande do Sul, o que demonstra um caráter catarinense de empreendedorismo. E ai a ADVB/SC entendeu que essa diretoria tem de mostrar Santa Catarina para o Brasil, trazendo negócios e investimentos para cá.

Como o senhor avalia a capacidade de Santa Catarina de gerar bons vendedores-negociadores? De que forma a ADVB pode colaborar neste processo?

Nós entendemos que, no marketing específico, nós até temos uma formação boa, mas no marketing de vendas, nessa união dos dois – capacidade de promover, criar estratégias para vender e vender – eu acho que podemos crescer muito. Nós somos empreendedores, mas temos de formar muitas pessoas aqui, porque não é possível ser apenas um empreendedor natural, tem de ter uma equipe. A ADVB, percebendo essa vocação dela, fez uma parceria muito grande com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), que criou uma pós-graduação, que ocorre em três cidades – Joinville, Chapecó e Florianópolis e que queremos expandir. Também temos um projeto muito bacana com a Unisul Virtual, com a possibilidade de levar a todo estado, através do ensino a distância, o conteúdo do marketing de vendas. Temos de formar mais vendedores.

O senhor já declarou que o setor de serviços precisa melhorar bastante em SC. O que está faltando e o que pode ser feito?

O setor precisa, urgente, aprender com quem já vem fazendo melhor, que é a indústria e o varejo. Precisa entregar, não pode simplesmente participar do processo econômico como coadjuvante, já que o serviço é, no mundo moderno, fonte de riqueza, inclusive, em alguns locais, a principal fonte de riqueza, caso de Nova Iorque. Florianópolis é uma cidade de varejo e de serviços também – nos hotéis, bares, de atendimento ao consumidor – e o setor que mais precisa evoluir em qualidade em entrega é o serviço. E isso passa a ser uma grande oportunidade de negócios. Nós temos feito cursos de negociação muito bons e também na área de atendimento. Temos um diretor, o Roberto Zago, que vem da área de atendimento e está focado em promover essa área especificamente com a diretoria de Capacitação, para criar uma estratégia visando ajudar a melhorar o básico – atender bem é o mínimo. São Paulo é um exemplo e queremos formar pessoas aqui com esse viés.

O senhor atua como executivo de um grande grupo que empreende shopping centers. Quais as perspectivas deste setor? Deve continuar crescendo?

Temos estudos que fazem uma comparação entre três países – Brasil, México e Estados Unidos – onde os shoppings centers são muito fortes. Nós temos apenas 26% dos negócios sendo realizados nos shoppings, contra mais de 36% no México e de mais de 56% nos Estados Unidos. Isso nos diz que temos um caminho grande pela frente, as pessoas estão indo mais aos shoppings, que não são mais apenas locais de compra e, sim, de relacionamento, entretenimento – você vai ao cinema, à praça da alimentação, faz uma compra, passa lá duas, três horas. Hoje o grande problema do Brasil é a segurança e essa segurança faz com que você pare o carro em um estacionamento controlado, em um local com temperatura bacana, banheiro bacana. Minha percepção, eu fiz essa análise quando vim para cá, é a de que a tendência do segmento é de ampliação. O Shopping de Criciúma representa a confiança do grupo nesta expansão e só estamos esperando a liberação de documentos para começar a construir.

O senhor anunciou a criação de três novas regionais. Qual o objetivo? Onde elas funcionarão?

Nossa idéia é ampliar a regionalização da ADVB/SC. Não é uma política parecida com a do governo do Estado, de criar regionais, pois não somos remunerados – quem quiser trabalhar gratuitamente é bem-vindo – e as cidades querem se sentir presentes, temos cidades pedindo representação. Inicialmente, isso será feito por meio de vice-presidentes em Joaçaba, Brusque e Concórdia.

Hermann Byron
Fonte: http://www.imagemdailha.com.br/noticias/entrevistas/temos-que-melhorar-muito-para-competir.html