Empresários catarinenses compartilham estratégias para driblar recessão e mover o mercado

A figura de um iceberg invertido foi a analogia usada para estimular um novo olhar sobre a economia, durante evento da ADVB/SC e Fecomércio SC, que reuniu empresários catarinenses na terça-feira (12), em Florianópolis. Se por um lado, a ponta que emerge sobre a água e toma conta dos noticiários e discussões é a queda de 4% no PIB nacional neste ano, entre outros indicadores negativos, abaixo da superfície existe um mercado de economia diversificada, com empresas que são referências globais em empreendedorismo e inovação, além de características que destacam Santa Catarina no cenário nacional, como o menor índice de desemprego do país e distribuição de renda equilibrada.

“Diante desse cenário adverso, com cerca de 60% das famílias catarinenses endividadas, cabe aos catarinenses escolherem entre reagirem e assumirem o protagonismo para fazer a economia girar ou serem contaminados pelo pessimismo e os números negativos da economia brasileira. Esta é a hora para se reinventar, fazer mais com menos e buscar oportunidades”, avalia o presidente da Fecomércio SC, Bruno Breithaupt.

A opinião compartilhada também por Daniel de Oliveira Silva, presidente da ADVB/SC. “Mesmo num cenário desafiador onde os números não estão favoráveis, é possível buscar oportunidades. Nós da ADVB entendemos que isso acontece através do uso de ferramentas de marketing e vendas. A crise é momento para inovar. O empresário tem que agir, sair da inércia, para ter novas oportunidades. Temos ainda muito para explorar e mover o mercado. A campanha “Eu movo o mercado”, tem esse objetivo, incentivar e desafiar o empreendedor a olhar o outro lado do iceberg”, explica Daniel,

Para inspirar as lideranças, três indicados ao Prêmio Personalidade de Vendas 2016, Mário Neves, presidente dos veículos da RBS em Santa Catarina, Nilso Berlanda, fundador da Lojas Berlanda, e Topázio Silveira Neto, presidente da Flex Contact Center, comandaram o painel de debates. Confiança, visão de mercado e muito trabalho foram palavras imperativas nos três discursos.

Mario Neves citou o movimento “Decida vencer”, lançado no ano passado na emissora, que destacava cases de empresários e especialistas que apostaram na gestão eficiente para driblar o panorama desafiador. “Estamos mostrando a realidade da crise nos veículos da RBS, mas também trazemos exemplos positivos e boas práticas desenvolvidas em Santa Catarina para estimular a confiança do mercado”, avalia. Neves está no grupo há 26 anos e comandará também a transição da empresa nos próximos anos.

Retenção de talentos e olho no caixa são as principais lições de Topázio Silveira Neto. De acordo com o empresário, a recessão tem um forte componente emocional e é necessária uma mudança de postura. “O Brasil é maior que a crise. Acho que todos os dias a gente deve acordar, de preferência uma hora antes para trabalhar mais, atender bem o cliente, buscar inovação, melhorar a produtividade e, sobretudo, controlar as finanças. É importante manter os bons funcionários e mostrar que o trabalho deles é importante para mudar a realidade”, pondera. Com matriz em Florianópolis e 11 Unidades de Operação nas cidades de Florianópolis, Lages, Xanxerê e São Paulo, a empresa emprega mais de 11 mil profissionais.

O momento exige que o empresário esteja adequado à nova realidade econômica, de acordo com Nilso Berlanda, empresário à frente da maior rede estadual de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos em número de lojas. “Em 2014 já tínhamos um sinal de que o varejo e a economia passariam por uma mudança. Fomos em busca de soluções para nos mantermos firmes: começamos a fazer a solicitação de dedução de alugueis, enxugamos a empresa e também partimos para a área industrial, buscando produzir produtos para ter um preço mais competitivo lá na frente. Se a gente se manter agora, o cenário muda e teremos oportunidade de voltar a crescer”, comenta animado.