Quando o pequeno varejo descobriu que digitalização não é só perfil em redes sociais

Há anos debate-se o tema da revolução digital e há anos esse tema é recorrente em rodas de empresários varejistas. Conheço bem o tema porque coordenei um programa de varejo durante alguns anos, inclusive com visitas a Retails Big Show (NRF-New York-EUA). Pelo menos desde 2011 (primeiro ano em que participei do evento), discute-se a questão da tríade pessoas-tecnologia-diversificação de canais, e que o futuro do varejo, independente do porte e ramo de atuação, dependem da integração e da sinergia desses elementos.

Muitos empresários participaram desse movimento, e escrevo aqui com segurança, menos de 10% deles, voltavam para o Brasil depois da experiência na Retails Big Show e implementavam em seus negócios essa equação. Os que implementaram, com certeza, estão perdendo muito menos hoje. A grande maioria pensava que os exemplos mostrados pelos técnicos e até mesmo pelos CEOs durante as palestras era para a economia americana, porque no Brasil a coisa é totalmente diferente, principalmente na questão tecnológica, porque o brasileiro gosta de ir comprar na loja. Outros entendiam que a questão tecnológica era importante, então, voltavam e abriam um perfil nas redes sociais.

Perfis em redes sociais são somente uma pequena parte de um processo de digitalização do varejo, e não servem para muita coisa, se não tiver o suporte de um CRM e de um e-commerce bem estruturados. Além disso, se não existirem pessoas capacitadas e valorizadas para integrar e alimentar toda essa estrutura, nenhum investimento fará sentido. Para ilustrar a afirmação, segundo dados da ABComm com a Konduto, em artigo da Revista Veja, na quinzena encerrada em 08 de abril, as compras por e-commerce se intensificaram na média geral de todas as categorias, aumentando em 28,8%. Segue o link para aprofundar seu conhecimento e fazer suas próprias análises (https://veja.abril.com.br/economia/coronavirus-comercio-eletronico-cresce-29-no-inicio-de-abril/).

Todo esse momento de caos deve ter servido para que muitos varejistas compreendessem que o mundo mudou, que as pessoas mudaram e que ele continuou negando isso. E agora? Agora, é absorver os impactos da não digitalização e se conseguir sobreviver, recalcular a rota do seu negócio. Como consultora de marketing e estratégia, sugiro três ações para iniciar esse processo:

– Olhe à frente, não fique se lamentando pelo que deixou de fazer. Não é momento de autoflagelo, é momento de arregaçar as mangas e trabalhar.

– Procure uma empresa de tecnologia para auxiliar no processo. É importante aqui que sejam analisados o portfólio da empresa e a relação custo-benefício da solução apresentada.

– Valorize quem trabalha com você. Envolva-os no processo, eles são o seu principal canal de comunicação com o cliente.

Além disso, há um outro fator, que é vital para que isso tudo resulte em crescimento, é o líder acreditar que a digitalização é necessária para o seu negócio. Transformação vem de dentro, nada e ninguém se transformam, se o desejo pela mudança não for real.

Transformação digital é cultura, é sentimento. Se a liderança não sentir a necessidade dessa transformação, ela não vai acontecer.

Reflita sobre isso e sucesso!

Valdirene Teixeira, Diretora de Estratégia e Planejamento ADVB/SC

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