Produtividade emperra crescimento

Produtividade emperra crescimento

 Carlos Rodolfo Schneider, empresário em Joinville (SC) e coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE)

Logo que foi divulgada a informação sobre o decepcionante crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano – 0,6% sobre o último trimestre de 2012 –, o ministro Guido Mantega afirmou que o governo não adotaria novas medidas para estimular o consumo e, sim, apostaria no crescimento dos investimentos para animar a economia. Isso não é mais do que o reconhecimento do que já está evidente há bom tempo: o modelo baseado no incremento do consumo/ crédito, no aumento dos preços das commodities e na absorção de contingentes de mão de obra chegou próximo do limite. O crescimento agora passa pela melhora da competitividade do país, que depende basicamente da redução do Custo Brasil, que, por sua vez, requer aumento de investimentos e reequilíbrio da equação salários x produtividade da mão de obra.

O Brasil investe pouco – menos de 19% do PIB –, sendo que, desse valor, o poder público participa com algo como 2%. Portanto, o grande investidor é a iniciativa privada, apesar de todos os entraves e dificuldades. Mesmo sendo o Brasil um país rico em recursos naturais, tendo uma democracia consolidada, viu seus investimentos encolher em quase 5% em 2012, mesmo às vésperas de uma Copa do Mundo e de Jogos Olímpicos, ao contrário de vizinhos como Peru, Chile, Colômbia e México, que têm mantido investimentos crescentes e taxas mais robustas de expansão das suas economias.

A China, que caminha para se tornar a maior economia do planeta, vem fazendo um esforço inverso para aumentar a participação do consumo na economia. Quer enxugar os investimentos de mais de 45% do PIB para 35% em 15 anos ─ que considera um nível adequado, considerando tudo o que já foi construído. Também pretende reduzir a participação da indústria de 47% do PIB para algo como 35% no mesmo prazo. O Brasil, em contrapartida, não tem conseguido ir além dos 19%, como já citado, e viu a sua indústria de transformação encolher para menos de 15% do PIB. Justamente investimento e indústria, que são os dois grandes alavancadores da produtividade!

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