No mundo do trabalho, você é o centro

Entre caos, notícias falsas, governos insanos, lives, propostas e um pouco de trabalho, fui acometida de uma vontade enorme de leituras científicas e técnicas. É claro que esse tipo de leitura consome muito mais energia e tempo, pois é imprescindível uma base de conhecimento prévio sobre o tema.

Devido a minha experiência profissional em uma instituição de ensino técnico e profissionalizante por dezoito anos, voltei os meus olhos ao Relatório “The Future of Jobs”, resultado de discussões técnicas durante o Fórum Econômico Mundial de 2016, cujo tema foi a quarta revolução industrial.

Tal estudo referencia algumas competências que os profissionais deveriam desenvolver até 2020: resolução de problema, pensamento crítico, criatividade, gestão de pessoas, inteligência emocional, capacidade de julgamento e de tomada de decisões, orientação para servir, negociação e flexibilidade cognitiva.

Pois bem, chegamos em 2020 e algumas dúvidas surgiram: atingimos o desenvolvimento dessas competências citadas aqui? O que deixamos de fazer para que elas não se desenvolvessem? Nesse momento tão delicado, quais delas parecem ser mais úteis ou tudo mudou e precisamos de outras totalmente diferentes? Será que elas merecem um novo contexto?

Essas foram as minhas reflexões, cada um deve fazer as suas. Não há “dicas”, receitas, nem gurus que podem ajudar. Conhece aquele ditado que diz “cada um sabe onde seu calo aperta”? É bem por aí. Desse modo, sentindo a dor no meu calo, três dessas competências serão fundamentais para que eu atravesse esse momento: resolução de problema, inteligência emocional e pensamento crítico.

A minha escolha foi baseada em três situações específicas: contas a pagar e a receber (porque eu terei dificuldade em pagar algumas contas e preciso entender que outras pessoas/empresas terão dificuldade em me pagar), sustento próprio (mesmo com renda bem reduzida, preciso me alimentar, pagar água, luz, internet…) e sanidade mental (não posso me desesperar porque tenho esperança de que isso seja só uma fase, e como diria minha mãe, “o que não te mata, te fortalece”!!).

Como todo esse contexto é mundo do trabalho, as empresas também precisarão analisar esses pontos quando tiverem que fazer alguma modificação em seus quadros. Não dá para ficar demitindo todo mundo!!! Quem ficará para a retomada? Exercite a competência de negociação com seus funcionários. Nenhum momento de toda essa transformação digital, exigiu tanto a redefinição do papel do líder.

Somente líderes construídos a partir dessas competências conseguirão se manter no mercado. Todo esse caos é transformação na veia, gente! Nesse momento, não há espaço para liderança política, o que o mundo precisa é de liderança técnica. Cada um de nós precisa fazer a sua autoanálise e definir como sairá mais fortalecido dessa guerra.

Lembrem-se, somos seres singulares, com características e histórias de vida próprias, então, arregace suas mangas e siga em frente!

Valdirene Teixeira, Diretora de Estratégia e Planejamento ADVB/SC

×