Hipertexto – O natal tecnológico do vendedor

Hipertexto - O natal tecnológico do vendedor

O surgimento e disseminação dos computadores pessoais transformaram, em um processo acelerado, nossos modos de produção e de leitura de textos. A expressão Computer Literacy esconde mais do que explicita: grande parte da população de vendedores, certamente letrada, é iletrada com relação a essa nova tecnologia.

O que podemos fazer para cobrir essa lacuna tecnológica?

Com o aparecimento dos computadores, o abismo que já separava os não-alfabetizados dos alfabetizados ampliou-se ainda mais. Algumas pessoas nem mesmo chegaram aos jornais, aos livros e às bibliotecas, enquanto outros correm atrás de hipertextos, de correio eletrônico e de páginas virtuais de livros inexistentes. Que desafio representa isto para a educação do profissional de vendas?

De que alfabetização falamos? Nas reuniões das empresas agora estão os vendedores do século 21. Será que estão sendo preparados para a alfabetização do próximo século ou para a do século passado?

O texto produzido e difundido digitalmente coloca em discussão muitos preceitos sobre a boa leitura e escrita que foram perpetuadas pela escola. Segundo David Reinking, pesquisador conhecido por seus trabalhos na investigação de como a alfabetização é afetada por formas digitais de leitura e escrita, a leitura e a escrita eletrônica dão ao processo de alfabetização uma dimensão nova.

A concepção que temos da leitura e da escrita está subordinada à natureza física e visual do meio em que elas se desenvolvem. Para a nossa cultura, o espaço natural do texto escrito é a página impressa (a propaganda impressa); nela, a escrita é estável e controlada, de modo exclusivo, pelo autor.

Em compensação, o espaço oferecido pelo livro eletrônico é mais fluido e dinâmico, permite uma maior transitoriedade e mutabilidade ao texto, reduz a distância que separa o escritor do leitor e possibilita sua interação.

Pode-se dizer que o hipertexto e os recursos multimídia permitem que o vendedor experimente o conhecimento de uma maneira que seria impossível com as fontes tradicionais de referência.

Assim, a curiosidade e imaginação, fatores encontrados abundantemente no profissional de vendas, transforma-se em um poderoso dispositivo a serviço de uma comunicação mais criativa e autônoma. Pois, ao navegar nos nodos (termo que significa “nó”, representa cada ponto de interconexão com uma estrutura ou rede) do hipertexto, o leitor vai criando suas próprias opções e trajetórias de leitura; experimentando o texto e modificando seu conteúdo.

Ele concede ao leitor certas funções de autoria: a possibilidade de agregar nodos, criar conexões, utilizar filtros, etc., e naturalmente aprimora a comunicabilidade em situações de contato entre empresa/vendedor/produto/cliente.

O papel do vendedor vai além da simples leitura e absorção de informações: pode assumir a apresentação e o projeto do propaganda, criar gráficos, produzir animações, vídeos, efeitos sonoros, fotografias ou textos orais, e determinar as diversas ações do programa, enfim, participar ativamente do processo de marketing da empresa e contribuir significantemente com sugestões em estratégias as quais ele é parte fundamental.

Tudo isso tem preocupado a “sociedade de vendas” em seu aspecto geral e, mais especificamente, Diretores de vendas. A questão é: A facilidade de acesso a instrumentos tecnológicos, utilizada principalmente pelos vendedores das gigantescas multinacionais, afetará o crescimento cultural do vendedor da pequena e média empresa que precisa lidar com a dificuldade de acesso aos mecanismos tecnológicos empurrando-o para a base da pirâmide competitiva?

A internet exige a prática e ao mesmo tempo exclui a participação ativa de seu usuário, alijando a competência comunicativa implícita na alma de cada profissional da área de vendas; a qual deve ser aproveitada pelas empresas para transformá-los em profissionais ainda melhores e consequentemente em bons produtores de gêneros textuais valorizados na área de vendas.

Portanto, os hipertextos têm muito a contribuir na formação intelectual e linguística dos seus profissionais de vendas, pois tende a fazer deles vorazes leitores e autores de textos sejam verbais, visuais, sonoros ou hipertextuais, habilidades que as empresas e suas milenares estruturas certamente apreciarão em muito a participação.

Luis Carlos Binotto Leal
Bilingual Writer, Translator, English Professor